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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

As Faces da Necessidade.

“Cada qual tece o seu destino, colhe o que semeia. O presente determina o futuro, o acaso não existe e nada acontece sem causa; cada má ação comporta um castigo. A oportunidade é uma ilusão”. Essas afirmações do filosofo Pascal, que viveu no século XVII, deveria servir de instrumento de reflexão a todos aqueles que em nome das “necessidades de vida”, Legitimam suas ações escusas e desonestas, sempre praticadas com deslavado abuso da boa fé, e, sem qualquer drama de consciência; amparados no velho e útil principio de que “os fins justificam os meios”.

Todas essas necessidades da vida moderna foram criadas artificialmente, e milhares de pessoas viveram e envelheceram felizes, antes que as mesmas fossem consideradas indispensáveis, simplesmente, porque não haviam sido descobertas ou investidas no seu tempo. Desse modo, nossa civilização atual, adquire bens, que, longe de proporcionarem prazer ou utilidade, representam status, significam poder. Dentre essas bugigangas estão os computadores e celulares cada vez mais engenhosos e caros, as roupas de grife, os perfumes de marcas, os cremes..., e, os saltos, que, de tão altos, nos levam a um inevitável questionamento: será mesmo isso tudo algo necessário? Até que ponto pode trazer felicidade e realização ao ser humano?

A palavra necessidade tem significado relativo. Assim, dois ou três palácios a um milionário, um carro do último tipo a um jogador de futebol famoso, podem ser tão necessários a  eles como um traje da ultima moda , com direito à Escova progressiva nos cabelos a uma professora vaidosa, ou uma dose de cachaça ruim e barata a um bêbado teimoso. O século das necessidades da vida é vicioso e representa o ouro de tolo, da musica do saudoso roqueiro e compositor baiano Raul Seixas, que diz em um de seus versos: “Foi tão fácil conseguir, agora eu pergunto: e daí? Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar, eu não posso ficar ai parado”.

A essa altura a decepção já mostra o indivíduo como um sujeito chato, que não acha nada engraçado, que acha tudo isso um saco. É que a felicidade não é possível onde a inquietação pelo ter sufoca a ser. E assim no meio político ( seja federal, estadual ou municipal), há um modelo impensável para os aliados fiéis e apadrinhados que em cargos de confiança, buscam também, antes de qualquer outra coisa, favorecimentos pessoais obtidos através da corrupção, sempre em nome do bem. Estes do povo, que deve ter segurança, assistência social, saúde e educação, e sendo eles, prestadores desses indispensáveis serviços que tanto contribuírem para o nosso belo quadro social, julgam-se, merecedores das “Benesses” que lhes são concedidos, em forma de cobiçados bens materiais ou de propinas.

Envolvidos no vai e vem do trem da alegria dos privilégios advindos da distribuição de cargos, perdem a noção do supérfluo e gastam todas as suas energias em mantê-los a qualquer custo. Conforme a obra de Erasmo de Ratterdam, O Elogio da Loucura, assemelha-se aos papos que julgam ser o modelo vivo de Jesus em sua humilde e renuncia , mesmo cercados pela suntuosidade e pela riqueza dignas, (em seu ponto de vista), ao representante de Deus na terra. Impulsionados, portanto por suas paixões e pela insanidade, nossos representantes, agem, sem qualquer constrangimento, e , por vezes, sentem-se até traídos ou injustiçados pelo povo a quem tanto se dedicam.

Tais comportamentos mostram que tão somente a loucura e nada mais é que toma esses entes artificialmente felizes, fazendo-os, se verem como o dito cidadão respeitado, que ganha 4 mil cruzeiros por mês, que comprou, enfim, um corcel setenta e três(...). Todavia, tecendo seus destinos: ainda que, talvez inconscientes, determinam no hoje, um futuro que já podem enxergar na violência cotidiana, banalizada nas escolas e nas ruas, ( onde suas altas graduações pouco podem fazer para evitar, já que também representam só destruição de aparências), na mediocridade da educação e na falência do sistema de saúde pública.

Achando-se acima do bem e do mal, crêem na própria impunidade, que só é aparentemente ilusória, já que nesse transitório mundo que tanto os consome como os fascina, podem a qualquer momento estarem expostos aos maléficos, que, movidos pelos supostos necessidade de vida moderna e abraçados a loucura, ajudaram a consolidar.

Certamente se elevassem seus pensamentos saberiam a diferença entre ostentação e a necessidade que mal podem hoje enxergar nas faces daqueles a quem de fato deveriam servir, mas por que na realidade, meramente instrumento de suas manobras gananciosas e de suas ambiciosas e de seres ambiciosos loucuras.

Profº  Valter Silva



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