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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

CRÔNICA DO PROf. VALTER SILVA

Irmãos que se amam com unhão.

A fábula o sonho dos ratos, escrita por Rubem Alves, leva-nos a refletir sobre a corrupção humana, mostrando que o discurso de solidariedade e de honestidade desaparece logo que se alcança o poder. Nessa fantástica narrativa, ratos de vários tipos: pretos, brancos, fortes, fracos, da roça e da cidade estavam irmanados no ideal de comer um queijo enorme e amarelo que daria a eles a suprema felicidade. Contudo, entre o objeto do desejo e dos ratos havia um gato malvado, de dentes afiados, que nunca, sequer, cochilava.

Como nada podiam fazer, denunciavam o comportamento odioso do gato e preparavam que esse e seus familiares seriam abolidos mais sedo ou mais tarde; então todos os ratos seriam iguais, pois, socializariam o queijo. Esse discurso, sempre muito aplaudido, tornava a fraternidade entre os roedores notória e muito comovente. Um belo dia o gato sumiu e, para surpresa geral, o queijo continuava no mesmo lugar. O glorioso dia, enfim chegara e todos se atiraram ao ambicionado alimento em uma gula em comum.

Bastou porém a primeira mordida para que tudo se modificasse. Os ratos viram que os queijos reais são diferentes daqueles sonhados. Por isso, agora se viam como inimigos, olhando uns para as bocas dos outros invejosos e bem raivosos. Logo os mais fracos foram expulsos, enquanto que os fortes brigavam entre si. Alguns ameaçavam chamar o gato novamente, para que se estabelecesse a “ordem” e até setiam saudades da sua época.

Um projeto de socialização do queijo foi elaborado pelos ratos grandes e aprovado nos seguintes termos: Ratos magros só se apossarão do queijo, coso seus proprietários o abandonem. Os magos ratinhos viram portanto, obrigados pela lei a esperar o improvável milagre. Por sua vez os ratos mais fortes, agora legítimos donos do queijo,exibiam o jeito e notadamente o olhar perverso do gato. Os ratos humildes perceberam, assim, que não havia diferença entre o gato de antes e os ratos de agora, pois, todo rato que possui o queijo vira gato; não é por acaso que seus nomes sejam tão parecidos.

Esse texto ilustra com clareza e lucidez a conjuntura da política brasileira, principalmente, nos rincões onde o coronelismo paternalista ainda impera, desse modo os ratos de diferentes tipos representa a esperança do povo por dias melhores, tendo alguns deles, naturalmente mais fortes. Como lideres do movimento, que almejam a chegada ao poder para se darem bem. O gato simboliza aquele político que se perpetua há anos no governo e enriquece, embora seja alvo do desprezo dos pobres, dos famintos, e dos enfermos; os quais persegue e oprime; e também esteja consciente das intenções e das manobras dos opositores, que querem, a todo custo, derrubá-lo do trono da mordomia no cobiçado castelo da corrupção.

O queijo evidentemente equivale ao poder que todos ajudam conquistar, mas bem poucos usufruem de suas benesses; afinal, o povo, após as eleições, continua sendo apenas um detalhe. O sumiço inesperado do gato evidencia um”vou mais volto”, comum entre duas forças políticas representadas por membros de famílias influentes, que se combatem em um antigo vai e vem onde só gozam os espertos.

Os ratos da fabula lembramos adversários políticos que chegam ao poder com o apoio da ralé, contudo, na hora de dividir o queijo, ou seja, os cargos escolhem os mais próximos, os os traidores, os sem escrúpulos, que topam tudo por dinheiro, além dos puxa sacos e dos parentes. O povão, como sempre, fica de fora dessa cínica partilha. Já o projeto de socialização do queijo exemplifica os estatutos que esse bizarro poder cria, pregando que os pobres só participarão do governo quando alguém importante não mais quiser o cargo, Maquiavélico! Não é meus amigos?

Finalmente a saudade do gato mostra que o povo não sabe que aquele que se ele elege vira carrasco, quer dizer, muda sua postura, pois, o poder iguala a todos em hipocrisia e em arrogância. Troca-se seis por meia dúzia. Resumindo: a participação popular era apenas um orgulho da propaganda dos ratos, na pratica após a vitória, rato “Zé Mané” tem participação pra pular fora, vazar, em fim, colocar-se no seu devido lugar. Quanto à volta do gato, vejam bem, tudo volta ao começo, rato fraco não tem teto, não tem terra e muito menos do que se orgulhar. Tenho dito.

Profº Valter Silva.


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