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terça-feira, 28 de março de 2017

CRONICA DE VALTER SILVA: CARTA ABERTA À POPULAÇÃO BRASILEIRA.

Vivemos hoje uma grave crise social que até nos lembra   o Apocalipse. O ser humano há muito tempo parece não ser o mesmo  e as pessoas estão perdendo a orientação. É cada vez mais difícil saber o que é certo ou errado e diferenciar entre tantos direitos e deveres o que deve ou o que pode ser feito neste ou naquele momento. Cidadãos que outrora estavam amplamente amparados pelo código de direitos, hoje se encontram à mercê dos advogados zombeteiros  numa sociedade em transparente declínio. Os valores estão, dessa forma, ofuscados pelo brilho que os desvalores  ganham sempre com maior intensidade.

Todavia, os cidadãos e cidadãs brasileiros, movidos pelo vicioso individualismo, têm contribuído para esse negro cenário que se reflete na crise do agir político. Ou seja; na desvinculação entre política e liberdade, enfraquecendo, assim, a ação participativa cidadã e a constituição de esferas públicas. Este PODER DE AGIR não pode ser transferido ou usurpado e se baseia no direito de associação, requerendo a comunicação entre as pessoas no espaço público e, portanto, o direito à informação. 

Quando homens e mulheres  movidos por interesses particulares deixam de lutar pelos direitos coletivos, essa inação faz com que a esfera pública corra o risco de se dissociar da ação cidadã. Daí fica evidente toda a fragilidade do viver em conjunto. Isso, mesmo em um Estado dito democrático, mas, que por sinal, só representa a prática democrática, ou a tolera, se tudo girar em torno do consenso unicista. Qualquer dissenso é visto como sinônimo de desordem. De desarmonia e de grave crise democrática.

Como falar, porém, em democracia, quando o autoritarismo facista das forças policiais triunfa sob a ordem civil impondo dor e humilhação para todos aqueles que estão desamparados  politicamente perante a arbitrariedade do poder estabelecido em conluio com os detentores dos meios de produção?
Como crer em um Estado democrático onde as decisões e ações de representantes civis eleitos ( vereadores, deputados, prefeitos, presidentes) revelam o sórdido abuso autoritário sobre a coisa pública em benefício de objetivos privados?
Como crer na cidadania diante do costumeiro desrespeito aos nossos direitos, cometidos por uma classe politiqueira que supostamente representa o bem comum?
É dito, que antes de mudar as coisas é preciso que se mude interiormente. Mas, quem reconhece a necessidade de mudança social já se modificou em seu íntimo, pois, a constatação da contradição da realidade exerce no sujeito, imbuído do senso crítico, a aspiração por reforma social.

Por que será que esta sociedade que é a nossa se aninhou na falta de ética? Passamos o tempo todo criticando a falta de ética na sociedade brasileira, mas quase sempre praticamos algo que fere esse princípio: O atraso na escola, o cargo que nos privilegia, mas que prejudica  a comunidade escolar, a falta de compromisso, a omissão e, sobretudo, a falta de luta nos sindicatos e em comissões fiscalizadoras do dinheiro público.

Acontece que hoje há um sentimento onde  aquele que é ético é tido como otário. Ninguém quer ser otário, ou ser a chacota da sociedade! Todos, com cada vez mais raras exceções, querem, sim, serem capazes  e espertos! Por isso, falhamos! E falimos também!  Mas, diante do descaso e da ameaça aos nossos  justos direitos, sentimos que a nossa dignidade ainda está na ética. Por isso a reivindicamos!

Sabemos que muitos brasileiros já perderam  suas esperanças a ponto de atribuir a um anônimo “ELES” todas as decisões políticas que no Brasil coíbem ou que ferem a nossa liberdade: FECHARAM ESSA RUA,AUMENTARAM O IMPOSTO! ROUBAM NOSSO DINHEIRO! Esse sujeito indeterminado é o governo! Qualquer governo! Nada temos a ver com “eles”. Só que foram eleitos por nós. Afinal somos ou não responsáveis por quem elegemos? Lembramos aqui que estamos lutando pela ética, uma ética meio desesperada, mas é o que temos para hoje! Conseguiremos sair deste pântano? Eis a questão!

Professor Valter Silva

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