ADPEB E SINDPOC LAMENTAM MORTE DE POLICIAIS CIVIS E COBRAM DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA PROVIDÊNCIAS SOBRE CUSTÓDIA DE PRESOS



O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado da Bahia (ADPEB/Sindicato) e o Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindpoc) vem a público externar o seu apoio e solidariedade aos amigos e familiares dos Investigadores de Polícia Kleber Correia Cardoso, de 42 anos, e Matheus Guedes Malta Argolo, de 31, lotados na 13ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Seabra), vítimas fatais de acidente ocorrido na manhã de hoje, na BA-233, em trecho pertencente ao município de Itaberaba.


No veículo ainda estava outro investigador que se feriu e encontra-se hospitalizado em estado grave e eram transportados 06 (seis) presos que seriam conduzidos da cidade de Seabra para Salvador, os quais também sofreram ferimentos.


Mais um dia que se passa nesta jornada policial em que temos que chorar e lamentar a morte de trabalhadores que, em razão de acreditarem cumprir com suas funções, desempenham papel para além de suas atribuições legais em completo desvio de função. Lamentável, mas também criminoso que o Governo do Estado da Bahia continue a nos obrigar, a todos policiais civis, a função de custodiar e transportar presos quando há muito as entidades de classe representativas denunciam o permanente estado inconstitucional na manutenção de pessoas custodiadas em unidades policiais da Polícia Civil da Bahia.


A decisão judicial que determinou o fim da custódia de presos em unidades policiais se arrasta pelos confins da burocracia perversa do Poder Executivo da Bahia que se nega veementemente a cumpri-la.


A tragédia que ora assistimos é anunciada diante dessa omissão coletiva capitaneada pelo governador Rui Costa e todos os atores do sistema de justiça criminal em nosso estado. A nódoa e amargura que nos incomoda é fruto dessa omissão coletiva administrada pelo Chefe do Executivo que nunca se preocupou de verdade com o que determina a Constituição Federal e tratados internacionais sobre direitos humanos.


Com a falta de investimentos no sistema penitenciário em sua estrutura e na polícia penal, as delegacias tornaram-se a solução conveniente a uma política de desprezo aos policiais civis e, principalmente, às pessoas custodiadas em situação absolutamente desumanas.


A manutenção de presos em delegacia é o retrato fiel de uma Bahia que representa o atraso no avanço das conquistas dos direitos humanos e obediência as leis vigentes. Como dito, é a ratificação permanente do estado de coisa inconstitucional assistida sob o olhar frio de um governante omisso. Mas, nas masmorras improvisadas e institucionalizadas só há “pretos, pobres e mulatos e quase brancos, quase pretos de tão pobres”. No fundo, somos pressionados pelo consciente racismo institucionalizado por uma classe política governamental sórdida, arrogante, avessa ao diálogo, e aplaudida pelo silêncio obsequioso dos outros órgãos que compõe o sistema de justiça criminal.



As lágrimas que nos toma pelos colegas mortos e presos feridos, como sangue, escorre na face hipócrita do Sr. Rui Costa, regente há anos dessa orquestra desafinada que retrata a sinfonia da indiferença pelas pessoas presas, pelos policiais civis e toda a sociedade baiana.




Fonte: Ascom/ADPEB

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